Número 45 - Ano II - 12 de outubro de 2009
Dia Estadual do Guia de Turismo

 

  

Pensando 2016
 

Compartilhamos com toda a população carioca do júbilo pela vitória do nosso projeto Rio 2016, derrotando as candidaturas de cidades de primeiro mundo. Vários fatores contribuíram, mas certamente o apoio entusiasmado da população e um projeto coeso e maduro que envolveu, pela primeira vez em muitos anos, as esferas municipal, estadual e federal, de mãos dadas, foram fundamentais.

 

É hora de arregaçar as mangas e de cada um fazer sua parte. A nossa, digamos, preocupação, baseada em experiências do cotidiano da cidade, é absolutamente construtiva. Queremos o melhor, mas para isso, precisamos começar por admitir nossas deficiências.

 

Vamos tomar como exemplo o evento Brasil Rural Contemporâneo, que está sendo realizado neste momento  - sábado, dia 10 de outubro - pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário na Marina da Glória, com importante patrocínio público – privado.

 

Nota dez em conteúdo: arte, artesanato, música, folclore, produção agro – pecuária, culinária. Um Brasil pujante, colorido e solidário se revela por entre os estandes, divididos por regiões e subdivididos por estados. O contato com um país que poucos conhecem bem, as sagas do babaçu, do açaí, e da castanha do Pará, da população ribeirinha amazônica, dos assentamentos da Reforma Agrária (tão pouco compreendida), a riqueza da culinária e confeitaria fluminenses... Um espetáculo. Dá orgulho de ser brasileiro.

 

Nota zero para a execução: evento mal dimensionado para um público tão grande (mais de vinte mil visitantes por dia). Área construída insuficiente ocasionando grande desconforto, corredores de acesso aos estandes apertados, pessoas se acotovelando e se esbarrando. Piso com tábuas mal encaixadas e algumas, soltas. Canos mal cortados que servem como corrimão e que aparecem inexplicavelmente protuberantes no meio do caminho. Cabos de aço de sustentação de tendas obstruindo acessos. Degraus imperceptíveis ou mal sinalizados - um deles com uma folha escrita com tinta pilot “cuidado, degrau”, pregada no chão com fita durex! - ameaçam quem não olha onde anda.

 

Praça de alimentação com quatro quiosques para pequenas refeições (beijus, tapiocas e pouco mais) com filas irritantes e cerca de 30 minutos de espera, depois de enfrentar a fila para pagar. E trate de comer debaixo de chuva (a área não foi coberta!). O único restaurante, um auto – serviço tipo bandejão com comida de quartel e sanitários repugnantes, sem sabão, pelo menos estava localizado em área coberta.

 

Para ir embora, mais transtornos. O transporte gratuito com três destinos diferentes parte de uma área lamacenta, logo à saída. Não há sinalização por destino e os próprios organizadores / seguranças hesitam em orientar, aparentando não saber o que fazer. Desconforto, protestos, nervosismo. Algumas pessoas não-identificadas que parecem ser da equipe organizadora culpam a chuva (fraca) e a impaciência dos usuários (!). Desrespeito. Aí, começa a dar vergonha de ser brasileiro.

 

Em suma, somos insuperáveis em criatividade: nossos carnavais e reveillons falam por si. Nosso calcanhar de Aquiles reside nos detalhes: recepcionar multidões demanda uma adequada sintonia entre informação, sinalização e segurança, além de planejamento minucioso, equipes bem treinadas e motivadas ($$). Tudo isso se traduz em respeito ao usuário - consumidor.

 

Definitivamente, lidar com o grande público ainda não é o nosso forte.


Esclarecimento sobre o projeto “Olá, Turista!”

 

Desde o lançamento do projeto “Olá, Turista!” do Ministério do Turismo (Mtur), em conjunto com a Fundação Roberto Marinho (FRM) para capacitação nos idiomas em inglês e espanhol, o SINDEGTUR / RJ disponibilizou-se a divulgá-lo e a organizar a lista de interessados para a posterior distribuição das senhas de acesso, não só a seus associados, como também a toda a categoria profissional dos guias de turismo. Cerca de 120 guias de turismo entraram em contato com o SINDEGTUR / RJ.

 

Entretanto, fomos surpreendidos com a exigência por parte daquelas renomadas instituições, quanto à assinatura de um TERMO DE COMPROMISSO, cujo teor o SINDEGTUR / RJ considerou inaceitável (leia a íntegra do documento clicando no link acima).

 

Neste TERMO, as entidades participantes devem aceitar e respeitar todas as condições nele descritas, entre elas:

 

*   Distribuir entre seus associados as vagas disponibilizadas pela Fundação Roberto Marinho, comprometendo-se em garantir que todas as referidas vagas serão efetivamente utilizadas por seus associados que passam então a serem participantes ativos do projeto “Olá Turista”, sob pena de descredenciamento da instituição em razão de desempenho insatisfatório da utilização das senhas, a partir de avaliação feita discricionariamente pela Fundação Roberto Marinho, sem necessidade de aviso prévio.

 

*     É de conhecimento das Associações, Entidades e Sindicatos que estes receberão mensalmente um relatório de aproveitamento dos seus associados inscritos no projeto “Olá Turista”, relatório este que conterá recomendações tanto por parte da Fundação Roberto Marinho, quanto do Ministério do Turismo, comprometendo-se em realizar as ações necessárias de forma a atender às recomendações recebidas, garantindo assim o melhor aproveitamento dos participantes no projeto.

 

*     A Fundação Roberto Marinho e o Ministério do Turismo não assumem qualquer responsabilidade quanto ao aproveitamento dos participantes no projeto “Olá Turista”, sendo de total e irrestrita responsabilidade das Associações, Entidades e Sindicatos garantir que os participantes obtenham o melhor aproveitamento possível no projeto, com base nos relatórios mensais que estes receberão (...).

 

*     As Associações, Entidades e Sindicatos, bem como seus associados, se comprometem em manter o mais absoluto sigilo com relação a quaisquer informações, conhecimentos técnicos ou estratégicos a que venha a ter acesso, ou que lhe tenham sido confiados em razão da participação no Projeto “Olá Turista”.

 

*     A inscrição e participação no Projeto “Olá Turista” implicará na concordância total e incondicional dos participantes com todos os itens deste TERMO DE COMPROMISSO.


O SINDEGTUR / RJ não possui poder jurídico (ou sequer capacidade técnica) para persuadir, fiscalizar ou mesmo incentivar os participantes a efetivamente utilizarem todas as vagas distribuídas, garantir o “melhor aproveitamento possível” ou mesmo assegurar um “absoluto sigilo” quanto às informações e aos conhecimentos - "estratégicos" ou não - obtidos através dos cursos.

 

Em Assembléia Geral Ordinária realizada no dia 6 de outubro, foi decidido por unanimidade que a direção do SINDEGTUR / RJ não assinará o termo de compromisso, declinando temporariamente de sua participação no projeto, até que sejam revistas as citadas exigências.


Audiência pública sobre a atividade de guia - motorista

 

Por ocasião da última assembléia sindical, o colega Wagner Medeiros, articulador político da Audiência Pública realizada em 5 de outubro na ALERJ, na qual representou a posição do SINDEGTUR / RJ, resumiu os principais pontos do evento, ressaltando sua importância no processo de formalização da atividade.

 

Cabe lembrar que em outubro de 2008, o SINDEGTUR / RJ enviou ao Ministério do Turismo (Mtur) um dossiê completo sobre o tema e fez gestões junto a presidente da Federação Nacional dos Guias de Turismo – FENAGTUR, Cristina Baumgarten, para que fosse aberto o debate no Conselho Nacional de Turismo – o órgão máximo consultivo do setor –, o que aconteceu. Até o momento, porém, não recebemos resposta nem do Mtur, nem do Conselho (!). Bem, na verdade, recebemos há alguns meses um comunicado do Mtur que a proposta está sendo analisada pelo seu departamento jurídico.

 

Ainda em 2008, realizamos diversos encontros para a formação de uma cooperativa de guias – motoristas, sob a coordenação do colega Pedro Landsberg, eleito pelos interessados. Na época, foram também feitos estudos de viabilidade técnica (pagos pelo SINDEGTUR / RJ) para a criação da cooperativa. Estamos agora a caminho de uma nova etapa nesta luta, juntamente com os prestadores de serviço de transporte nos hotéis (car-service), pelo reconhecimento da atividade, comum e regulamentada nos principais destinos turísticos em todo o mundo.

 

Continuamos empenhados em mudar e adequar uma legislação anacrônica à realidade do turismo nacional.

 

Leia a matéria e veja as imagens da Audiência Pública no boletim do Guia Legal.


Lei do Empreendedor Individual não se aplica aos guias de turismo

 

Algumas agências de turismo insistem em transformar seus guias de turismo em empresários ou empreendedores, com o intuito de solucionar problemas trabalhistas e fiscais.

O SINDEGTUR / RJ volta a advertir estas agências que a nova lei do Empreendedor Individual (EI) recém sancionada para formalizar as atividades de algumas categorias profissionais NÃO pode ser aplicada a guias de turismo, pelas razões que se seguem, segundo as normas publicadas no Portal do Empreendedor http://www.portaldoempreendedor.gov.br/modulos/perguntas

 

  • Entre as atividades descritas como enquadráveis para efeitos da lei do EI, não consta a profissão regulamentada de Guia de Turismo.
  • O Micro Empreendedor Individual não poderá realizar cessão ou locação de mão-de-obra [Não pode ceder a si mesmo como mão-de obra]. Isso significa que o benefício fiscal criado pela LC 128/2008 é destinado ao empreendedor, e não à empresa que o contrata. Significa, também, que não há intenção de fragilizar as relações de trabalho, não devendo o instituto ser utilizado por empresas para a transformação em Empreendedor Individual de pessoas físicas que lhes prestam serviços.

Obrigar a um guia de turismo a abrir uma empresa contra a sua vontade mediante ameaça de exclusão dos quadros da empresa constitui grave ofensa à legislação trabalhista e fiscal. Se um guia presta serviços a uma pessoa jurídica como autônomo, basta a assinatura de contrato de prestação de serviços e a emissão de RPA. Se a relação que tem com o contratante caracteriza um vínculo empregatício, deve ser cumprida a legislação trabalhista.

 

As empresas que insistirem no jeitinho devem conscientizar-se que poderão sofrer penalidades previstas em lei. Os guias de turismo que aceitarem arranjos ilícitos também poderão ser punidos.



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